Bloody Mary de Manhã
Ele insiste em me mandar embora.Eu bato o pé. Tenho direito, ora.
[A teimosia dele é pior que a minha.]
E assim começa.
Eu digo fico. Ele diz vai.
Eu digo vou. Ele diz fica.
E o bilhete em cima da mesa.
[Nessas horas qualquer demonstração anterior de carinho interrompe a discussão.]
O garçom oferece mais um chopp.
Timing perfeito, meu amigo!
Aquela mão sobre a minha, difícil não sentir.
"Mais dois, por favor" ele querendo desviar a atenção.
Eu ameaço levantar. Ele me segura.
[Surtiu o efeito desejado.]
Eu rio. Sempre funciona.
Ele percebe e me larga. Fica sério.
Mudo de tom e ecosto de leve na nuca dele.
Mais perto, a conversa muda de rumo.
O chopp chega. Um brinde. À nós.
[Pra sempre.]
Oito choppes e 2 horas depois, vou embora.
E ele fica. A gente se sabe, se sente, se conhece.
E é bom enquanto dura.
Antes de dormir leio um trecho do meu livro.
E amanhã nunca se sabe.


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