Gostava do Rodrigo. Tinha um sotaque gaúcho forçado, olhos claros e gestos grandes. As mãos macias em minha pele bronzeada surtiam um efeito conhecido e a sensação era boa. Queria que as coisas fossem mais simples. Queria possuí-lo, com um olhar penetrante e voz dominadora. Sabia que meu encantamento por ele trornava-se mais evidente a cada palavra. E que, a esta altura, já tinha meu desejo estampado na testa.
Suando frio, desconversei, fui embora. As pernas bambas, nos três minutos seguintes, incapacitaram-me de olhar para trás. Grande balanço: para 2 minutos de papo e 1 beijo no rostos, 300 batidas por segundo, dois tropeços e as bochechas rosadas nos 10 minutos seguintes.
Estava satisfeita.
Seguia sorrindo - sonhando, sofrendo - em direção ao restaurante onde Marcelo me esperava, quando lembrei do dia anterior, sentei e chorei. Era o melhor que tinha a fazer. Nunca cometeria o mesmo erro duas vezes. Tarde demais.


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