domingo, setembro 12

"Detestei a mim mesma por ser tã insegura e dependente. Deveria ser uma mulher dos anos 90, forte, atrevida, independente. O tipo de mulher que tem pontos de vista bem definidos, vai para o cinema sozinha, preocupa-se com o meio ambiente, sabe trocar um fusível, faz sessões de aromaterapia, possui um jardim de ervas, fala fluentemente o italiano, tem uma sessão de hidroginástica uma vez por semana e não precisa de nenhum homem pra escorar seu frágil senso se auto-estima.
Mas o fato é que eu não era assim.
Gostaria de ser.
Talvez me tornasse.
Parecia que eu não tinha escolha."

"Não queria falar sobre James.
Pelo menos, não naquele momento.
Estava cheia daquilo.
De esmiuçar repetidas vezes toda a história, tentando entendê-la, preocupando-me com o que fazer.
Como dizem em Nova York: 'Supere isso, e senão puder superar, supere o vício de falar a respeito'.
Sábio conselho."

"- Nervosa? - Ele veio para meu lado da mesa e se sentou junto de mim. - Você não tem motivo nenhum para ficar nervosa.
- É mesmo? - perguntei, olhando-o bem nos olhos.
Não tive a menor vergonha.
Seria a primeira a admitir isso.
Mas, que diabo, eu já desperdiçara bastante tempo naquela noite.
- Não - ele murmurou. - Você não tem motivo nenhum para ficar nervosa.
E, suave, muito suavemente, pôs seu braço em torno do meu ombro e sua mão em minha nuca.
Fechei os olhos.
Não posso acreditar que estou fazendo isso, pensei, enlouquecida, mas não vou parar.
Aspirei o cheiro de sua pele, enquanto seu rosto se aproximava.
Esperei seu beijo.
E, quando veio, foi lindo. Doce, gentil e firme.
O tipo de beijo no qual a pessoa que beija é muito boa nisso, mas você não sente que ele aprendeu a beijar tão bem praticando com milhares de outras.
Ele parou de me beijar e olhei-o, alarmada.
Qual era o significado disso?"